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NOSSO FUNDADOR E PAI SÃO ROMUALDO Como acontece em relação a muitos santos da antiguidade e da Idade Média, não conhecemos muitas datas históricas certas nem da vida de São Romualdo ...

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O Mosteiro da Transfiguração, pertence à grande tradição monástica que no Ocidente  reconhece em S. Bento de Núrcia (séc. VI) sua primeira raiz espiritual,  e em S. Romualdo de Ravenna (+ 1027), o seu  pai espiritual mais próximo. Segue a Regra de São Bento e os ensinamentos de São Romualdo e da milenar tradição que  nele se inspira . O Sacro Éremo de Camáldoli ( Itália),  foi fundado pelo próprio São Romualdo no ano 1024 e desde aquela época, teve a presença ininterrupta da comunidade monástica.


       A Congregação  camaldolense da Ordem de São Bento tem dois modelos de vida monástica: mosteiro(vida comunitária) e eremitério(vida solitária). Os dois, cada um com o  próprio estilo, ficam abertos ao testemunho e ao serviço ao Senhor na Igreja e nos irmãos e irmãs(evangelização).
        No mosteiro a vida tem  uma intensa dinâmica comunitária, alimentada pela palavra de Deus, pelas celebrações litúrgicas da Eucaristia e do Ofício divino ( Liturgia das Horas), sustentada pelo estudo e  trabalho, aberta à hospitalidade dos que pedem  acolhimento para fazer retiro espiritual, seguindo o ritmo de vida da comunidade monástica.


        No eremitério é sobretudo privilegiada, a  busca de  Deus na solidão, no estudo e na oração pessoal e comunitária, sempre animada por um intenso sentido de comunhão com os irmãos e com a Igreja inteira. A vida no eremitério visa destacar esta tensão espiritual que anima a caminhada do povo de Deus na história, testemunhando a primazia de Deus na  vida de cada cristão.
        São Pedro Damião,discípulo de São Romualdo, descreve muito bem esta tensão interior entre solidão e comunhão que  faz o eremita morar na intimidade do Espírito  e no coração da Igreja e da humanidade.


“ A Santa Igreja é ao mesmo tempo uma em todos e toda inteira em cada um. Mesmo que distinta pela multiplicidade das pessoas, ela está consolidada  na unidade mediante o fogo do Espírito Santo.  Por isso, ainda que, pela condição  material das pessoas, se apresente fracionada em partes distintas, o mistério da sua íntima união não pode absolutamente ser cortado em sua integridade, porque “ o amor de Deus foi derramado nos nossos corações por meio do Espírito Santo que nos foi dado” (Rm 5,5).


O Espírito  portanto, que sem dúvida é uno e múltiplo, uno na sua essência divina e múltiplo na variedade dos carismas que distribui, permite à Santa Igreja, por ele habitada, tornar-se una  no seu conjunto e inteira em qualquer uma de suas partes”
 (São Pedro Damião, Carta 28, 11-12)
         A vida eremítica, para não ser  fuga de si mesmo e da vida, mas experiência autêntica de Deus e de comunhão mais profunda com os irmãos,   pressupõe maturidade humana e espiritual. Por isso,  o acesso à vida do eremitério, habitualmente  é permitido e favorecido depois do tempo de formação e de experiência no mosteiro.


        Mosteiro – eremitério – evangelização  (serviço aos irmãos),  constituem três elementos complementares da espiritualidade monástica camaldolense desde  as origens até hoje. Este conjunto espiritual é chamado de “ tríplo bem ou tripla oportunidade de vida monástica”. Constitue  a raiz e o centro da identidade e da espiritualidade camaldolense, e determina o estilo de vida dos monges nas várias comunidades e a escolha das modalidades de sua presença na igreja local onde vivem.
        As Constituições camaldolenses definem neste horizonte a identidade dos monges usando um antigo texto da tradição do próprio São Romualdo:
           “A Congregação Camaldolense é constituída de eremitérios e mosteiros. O elemento caraterístico da tradição camaldolense é a unidade da família monástica no  triplo bem de cenóbio- eremo - evangelização: “ Três são os bens para aqueles que procuram  o caminho do Senhor: para os noviços que vêm do mundo, o desejável cenóbio; para os maduros sedentos de Deus, a áurea solidão do eremitério; enfim para aqueles que anseiam ‘dissolver-se e estar com Cristo’, o anúncio do evangelho entre os pagãos” - “tripla commoda quaerentibus viam Domini, hoc est: noviter venientibus de saeculo, desiderabile coenobium; maturis vero et Deum sitientibus, aurea solitudo: cupientibus dissolvi et esse cum Christo, evangelium paganorum” (S.Bruno Bonifácio de Querfurt, Vita quinque fratrum - Vida dos cinco irmãos, cap.2).
           Este patrimônio espiritual obriga os Priores e as comunidades a prestar atenção às pessoas para que a forma exterior  de vida  seja  correspondente, o mais  possível,  à  real situação  interior delas”
(art. 3).


        Conseqüentemente, um certo pluralismo de expressões de vida, alimentado pela comum inspiração à tradição e  pela comunhão fraterna, pertence ao estilo de vida monástica camaldolense.  O brasão da Congregação com as duas pombas bebendo do mesmo cálice do amor de Cristo visa a esta realidade.
        O delicado equilíbrio, capaz de infundir paz a quem se detém em contemplação, é fruto da comunhão na diversidade. A própria diversidade, posta ao lado das outras, concorre para um profundo senso de união. Ao se descobrirem, homens e  criaturas amadas por Deus, descobrem um novo modo de viver junto: tornam-se pequena imagem e antecipação da misteriosa comunhão da Santa Trindade.


        Este pluralismo de formas de vida e de abertura recíproca entre mosteiro – eremitério- evangelização, caracteriza e distingue  a vida monástica camaldolense  também em relação às demais comunidades beneditinas  no mundo e  no Brasil.
        Deste horizonte de comunhão nas diversidades, tem nascido a cordial acolhida ao convite dirigido aos monges  pela  Igreja do Concilio Vaticano II  e pelos papas Paulo VI e João Paulo II em prol  do  dialogo ecumênico com os cristãos das outras confissões e do dialogo inter-religioso. Tudo isso é apresentado e explicado nas “Constituições” da Congregação, e praticado nas várias comunidades da Congregação.


       A Congregação tem dois ramos: o dos monges e o das monjas.Ambos colaboram fraternamente entre si em várias formas e iniciativas, nas várias partes do mundo onde estiverem. Em Mogi  das Cruzes ao lado do Mosteiro da Transfiguração encontram-se  as monjas que vivem no Mosteiro da Encarnação. Com elas partilhamos cada dia, a celebração da liturgia e outras iniciativas para a formação dos candidatos e das candidatas e a hospitalidade.
        Encarnação e Transfiguração constituem os dois pólos do processo permanente do carisma camaldolense. Ter a mente e o coração orientados ao Senhor e à herança dos Padres e, ao mesmo tempo, olhar para a  vida  do povo de Deus no nosso tempo. A encarnação da fé   e   da   espiritualidade, nos valores e nos desafios de hoje, exige ser purificada e transfigurada através do mistério  pascal de Cristo, que gera vida através da morte. Por outro lado, a experiência da intimidade com o Senhor no Tabor da vida contemplativa  torna o discípulo/monge capaz de testemunho e de serviço.


        A atual presença do monaquismo camaldolense no Brasil foi precedida há mais de um século (1899 – 1926) por uma fundação  na Diocese de Caxias (RS), que expressou grande vitalidade espiritual e pastoral, mas que infelizmente não conseguiu permanecer por falta de condições  da Casa mãe da Itália.


O silêncio contemplativo, imbuído  de admiração diante das maravilhas do mistério de Deus, gera palavras autênticas que comunicam experiência e vida  e  estimulam uma atuação que assume, em espírito de obediência,  as responsabilidades  que a vida vai propondo.  
Nossos amados   monges sofreram    na própria pele as contradições de uma visão teológica da vida espiritual estranha à mais autêntica tradição dos Padres da Igreja e do monaquismo, mas   infelizmente dominante na Igreja do seu tempo. Separava contemplação e   ação,  ao restringir a contemplação  a um exercício  interior e espiritualista. Considerava a vida contemplativa mais como um conjunto de práticas ascéticas e espirituais  reservadas aos monges e às irmãs dos mosteiros e dos carmelos. Este esquema mental não correspondia à própria tradição camaldolense. Sair deste âmbito porém, aparecia como  infidelidade à própria vocação.


Por outra lado, a simplicidade de coração e a sensibilidade humana e espiritual empurrava os camaldolenses brasileiros  a serem  solidários com as necessidades dos companheiros de aventura, entre os  imigrantes italianos, e, ao mesmo tempo, a serem fiéis ao mesmo tempo ao teor de  vida eremítica e contemplativa que tinham herdado do Sacro Éremo de Camaldoli.
Se as dificuldades práticas, de conjugar as duas exigências constituíam um desafio cotidiano aos monges brasileiros de Nova Camaldoli (eremitério) e de Ana Rech (mosteiro da Santa Trindade), para os eremitas da Itália, a tentativa dos brasileiros aparecia como uma traição da própria vocação contemplativa.


A celebração do centenário da fundação do Mosteiro da Santa Trindade no mês de agosto 2007, pelo contrário, tem demonstrado mais uma vez, quão profundamente eles conseguiram penetrar na vida do povo que guarda, deles, até hoje,  memória indelével e fecunda .
Nós queremos  guardar e atualizar  a preciosa herança das mais antigas raízes de São Romualdo e  a linfa vital que nos entregaram nossos queridos predecessores brasileiros.
Por que também você não colabora conosco,a fim de partilharmos esta preciosa herança espiritual  e este desafio com o povo de Deus no Brasil, que está  sedento  da vida verdadeira de Cristo e  busca trilhas autênticas para encontra-la?

 
Mosteiro da Transfiguração no coração de Deus, no coração dos homens.

 

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